Brasileiros consomem cada vez mais cervejas premium Marcas mais caras avançam no mercado brasileiro e já movimentam mais de R$ 2 bi por ano
Alberto Komatsu
As cervejarias estão desenvolvendo estratégias para fazer com que o segmento premium, que se consolidou no País há pouco mais de cinco anos, conquiste este ano o melhor desempenho de sua história. O Sindicato da Indústria da Cerveja (Sindicerv) estima que a participação de mercado das cervejas mais caras suba de 4,5% no ano passado para 5,5% em 2008. Hoje, as vendas das cervejas premium movimentam R$ 2 bilhões por ano.
Executivos do setor, por sua vez, estimam que a velocidade de crescimento do segmento premium será três vezes superior ao do mercado total este ano, ou 15% contra 5%. Esse resultado seria reflexo de uma mudança no perfil de consumo do brasileiro, que está mais aberto a novas experiências por causa da melhoria da renda.
“O setor de cervejas está rumando para a sua maturação. Com isso, acaba despertando no consumidor interesse por produtos mais sofisticados”, afirma o superintendente do Sindicerv, Marcos Mesquita.
Segundo ele, apesar de representar 4,5% das vendas em volume, ou 400 milhões de litros, as cervejas premium contribuem com 8% do faturamento bruto do setor, de R$ 25 bilhões. “As cervejarias enxergaram o potencial de crescimento desse segmento”, acrescenta.
MICROCERVEJARIAS
As microcervejarias também estão atentas ao mercado premium. A Colorado, de Ribeirão Preto, interior de São Paulo, investiu R$ 1 milhão há seis meses numa linha de produção de cervejas em garrafas. Outro R$ 1 milhão foi desembolsado em campanhas de marketing, como o patrocínio da feira náutica Rio Boat Show, realizada semana passada, onde a Colorado foi a cerveja oficial do evento. Há 12 anos no mercado, a empresa vendia apenas chope.
O presidente da cervejaria, Marcelo Carneiro da Rocha, diz que vai lançar este ano uma cerveja com café em sua elaboração. A empresa tem três variedades: pilsen com mandioca, Weissbier (trigo) com mel e o tipo Pale Ale (alta fermentação) com rapadura. Segundo o executivo, o diferencial da empresa nesse concorrido mercado é associar a cerveja com produtos regionais brasileiros. “É difícil quebrar o quase monopólio das grandes”, diz.
A AmBev, cuja marca Boehmia representa 40% do segmento premium, deve manter este ano a estratégia de 2007, quando foram importadas seis marcas, sendo três da Bélgica e três da Alemanha. A empresa tem 20 rótulos diferentes de cervejas mais sofisticadas. O gerente do segmento premium da AmBev, Ariel Grunkraut, diz que esse mercado ganhou força na AmBev há quatro anos.
“Vamos identificar a necessidade do consumidor. Como somos líderes, nosso desafio é aumentar o tamanho desse mercado”, afirma Grunkraut. A AmBev não vai usar garrafas grafadas com logomarca nas cervejas premium - a nova garrafa restringe-se à marca Skol, no Rio, com volume de 630 mililitros. Essa embalagem levou a Associação Brasileira de Bebidas e a Associação dos Fabricantes de Refrigerantes a alegarem abuso de concorrência junto à Secretaria de Direito Econômico (SDE), já que todas as fabricantes de cerveja usam as garrafas retornáveis.
IMPORTAÇÃO E COMPRAS
Mesquita, do Sindicerv, diz que o aumento das importações de cerveja é mais um sinal da mudança no perfil do consumo. Segundo ele, as compras de cervejas estrangeiras dobraram em 2007: US$ 7 milhões ante US$ 3,5 milhões em 2006.
A Schincariol estreou no segmento premium ano passado, com a aquisição de três cervejarias: a Baden Baden, de Campos do Jordão, a Devassa, do Rio, e a Nobel, de Pernambuco. O diretor de marketing da empresa, Marcel Sacco, diz que o foco este ano será ampliar a presença dessas marcas. O executivo não descarta novas compras. “Estamos atentos a oportunidades de crescimento orgânico ou de aquisições”, afirma.
“O mercado brasileiro de cervejas é pouco diferenciado. É natural que o segmento premium venha se sofisticando”, afirma o diretor de marketing da Femsa, Riccardo Morici.
A empresa, que comprou a Kaiser há dois anos, tem as marcas Heineken, Gold, Sol e Bavaria premium como carros-chefe no mercado mais sofisticado. Há um ano, a cervejaria passou a importar a mexicana Dos Equis (XX) para aumentar presença no mercado premium
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De fato, a oferta de produtos melhorou muito, assim como o apoio as micro-cervejarias melhorou e como a qualidade cresceu, mas ainda falta muito para chegarmos ao nível dos grandes centros cervejeiros. O Brasil pode ser, sim, uma potência nesse segmento.