sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

Notícias cervejeiras (Extra!!!)

O texto de hoje NÃO É MEU, mas eu certamente gostaria de tê-lo escrito.

É do Maurício Beltramelli, o Mau, do Brejas, e foi publicado ontem, no blog deles.

Aproveite. E bom 29 de fevereiro para todos!!!

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CERVEJA E PATRIOTISMO DE BOTEQUIM

Confesso que não consegui dormir direito desde o dia em que assisti, em horário nobre, a nova campanha publicitária da cerveja Brahma. Pra quem acabou de pegar as malas na esteira do aeroporto vindo de Zanzibar, explico. Trata-se de um filme “estrelado” pelo o cantor Zeca Pagodinho, o qual entoa um samba cuja letra é a que segue:

De manhã cedo eu me benzo, me levanto e vou trabalhar, tudo o que eu tenho nessa vida eu conquistei e tive que ralar

Do meu pai e da minha mãe aprendi o que eu sei, e os meus filhos vão herdar o nome limpo que eu herdei, não sou barão mas me sinto um rei porque tenho um lar

E no final daquele dia duro de batente é a hora da minha Brahma que também sou gente, a vida não tem graça sem ter os amigos e o que celebrar

Eu sou Brahmeiro amor, eu sou Brahmeiro, sou do batente, sou da luta, sou guerreiro, eu sou brasileiro.

Acompanhando o pagode, gente feliz trabalhando, posando ao lado do carro que conquistou “ralando” e batendo orgulhosamente no peito ao final do pegajoso refrão. Do ponto de vista puramente publicitário, reconheça-se, o filme é genial.

É o aspecto “subliminar” que causa espécie. Ao final do filme fica a mensagem: Se você é trabalhador, honesto, guerreiro, tem um lar, amigos, motivos pra celebrar e é brasileiro, automaticamente é Brahmeiro. Sentiu o drama?

Não chego ao desplante paranóico de afirmar que o comercial presta um desserviço à nascente cultura cervejeira nacional, mas a campanha certamente fomentará o recrudescimento da espécie dominante nessas plagas: A do TORCEDOR DE RÓTULO.

Você encontra o Torcedor de Rótulo em qualquer lugar. No bar, ele briga contigo pra “provar” que o dele é o melhor. E, aqui no BREJAS, ele escreve foribundo pra manifestar o seu descontentamento ao saber que o seu rótulo do coração ficou em antepenúltimo no Teste Cego das Pilsen Brasileiras.

O Torcedor de Rótulo, a exemplo do comercial, não discute a qualidade dos ingredientes da sua cerveja. Não se preocupa se a sua cerveja, afinal, tem gosto de cerveja. Basta-lhe a embalagem bacana, o sambinha da campanha, a modelo gostosa que aparece fazendo biquinho.

Não dá pra demonizar o comercial. Pelo contrário, trata-se de uma peça magistral, que em 30 segundos transmite a mensagem que se propõe. Todavia, preparemo-nos. A nação dos Torcedores de Rótulo já saiu às ruas, batendo no peito e com os dentes afiados. Agora, além do ícone que é o próprio lay-out do rótulo que amam, um dia da semana só deles (a tal da Zeca-feira) e o herói (o próprio sambista), a eles lhes foi composto um hino nacional.

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Acho que "Torcedor de Rótulo" é a pior espécie de torcedor. Até porque nem tem futebol todo dia!!!
Nada como você beber aquela alemã gelada, ou aquele pint de Guinness e vir alguém falar pra você que tal cerveja não presta, que boa mesmo é aquela cerveja nacional, com gosto de cloro, tão gelada que congela as papilas gustativas da língua e não nos deixa sentir o gosto.

Abro um parênteses. Ou melhor, um par deles: nada contra as pílsen nacionais. Já tomei várias delas, Conti Bier, Lecker, Crystal, Bahma, Skol, Antarctica, Kaiser... Mas o que faz de uma cerveja, uma boa cerveja?? Na minha opinião, é a circunstância, e todas essas citadas, em uma certa hora e num determinado lugar, com as companhias certas, foram as melhores cervejas do mundo.

Mas enfim, se posso escolher entre uma pílsen comum dessas e uma outra cerveja importada ou artesanal, não importa, porque deveria tomar a pílsen?? Porque é nacional? Porque é a propaganda da moda?? Porque a modelo gostosa dessa cerveja é mais gostosa que a gostosa da cerveja que eu tomo??
Gosto é gosto, certo?

E você?? O que acha de toda essa história?? Fale aqui!!!

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

Notícias cervejeiras

LUCRO DA AMBEV FICA EM R$ 2,8 BILHÕES EM 2007

A fabricante de bebidas AmBev registrou lucro líquido consolidado de R$ 2,816 bilhões em 2007, mostrando crescimento de apenas 0,36% sobre 2006. A receita líquida aumentou 11,55% e totalizou R$ 19,648 bilhões. O lucro antes de despesas financeiras, impostos, depreciação e amortizações (Ebitda) avançou 16,41% e ficou em R$ 8,666 bilhões. A margem Ebitda subiu de 42,3% para 44,1%.O lucro bruto subiu 12,31% para R$ 13,012 bilhões. O lucro operacional de 2007 somou R$ 4,485 bilhões e foi 3,43% maior do que o contabilizado no exercício anterior.

Isoladamente no quarto trimestre de 2007, a empresa registrou lucro de R$ 1,132 bilhão, com recuo de 4,1%. O Ebitda foi de R$ 2,795 bilhões, com crescimento de 20,2%. A margem Ebitda ficou em 48%, contra 44,1% do quatro trimestre de 2006. A receita líquida aumentou 10,6% e totalizou R$ 5,826 bilhões.

A AmBev é a maior cervejaria da América Latina. A companhia foi criada em 1º de julho de 1999, com a associação das cervejarias Brahma e Antarctica. Líder no mercado brasileiro de cervejas, a AmBev está presente em 14 países. Com a aliança global firmada com a InBev, em março de 2004, a companhia passou a ter operações na América do Norte com a incorporação da canadense Labatt. Além de cervejas, a AmBev produz refrigerantes, chás e outras bebidas gaseificadas.

http://portalexame.com.br/

Hummmmm cerveja recomenda


Mais um livro, mas dessa vez, é para os futuros cervejeiros. Trata de "Helmut, o cervejeiro de Colônia", da coleção Paraíso II - Alemanha, da editora gaúcha Edelbra.

São só 16 páginas, que conta a história de Helmut, um popular chopeiro de uma cervejaria de Colônia, que conhece e se apaixona por uma linda mulher de longos cabelos loiros. O resto da história, só lendo o livro!!!

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

Bavária Premium 130 anos


"Puxa vida!! Bem que poderiam melhorar a cerveja no seu 130º aniversário". Foi o pensei quando li a notícia de que a Bavária iria fazer um rótulo especial pra cerveja. E não me enganei.

Logo de cara, percebi uma cerveja uma cerveja com um pouco mais de lúpulo e cor e aroma que a Bavária Premium comum.

É uma cerveja bem carbonatada, bem lupulada e com uma bonita cor dourada, com uma espuma de média duração e com 4,8% de teor alcoólico.

Não que eu ache a Bavária Premium uma cerveja ruim, muito pelo contrário. Dentre as maiores fabricantes, é uma das melhorzinhas. Mas desta vez, eles acertaram a mão. Só espero que continue assim. Não quero esperar até o próximo aniversário da cerveja.

domingo, 24 de fevereiro de 2008

Descendo cerveja



Descendo cerveja

(João Werner)


50x70 cm.

óleo sobre tela


http://www.joaowerner.com.br/

sábado, 23 de fevereiro de 2008

Hummmm cerveja é utilidade pública

Você, cervejeiro, acabou de produzir sua cerveja, agora falta engarrafar. Já escolheu o nome?? Se ainda não escolheu, esse site aqui pode te ajudar... Mas, e o rótulo???

Calma!!! Claro que o Hummmm, cerveja!!!!! não vai deixar você na mão. Nesse site, você encontra vários modelos de rótulos. É só deixar a criatividade fluir!!!


sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

Notícias cervejeiras

GELADAS DE PRESTÍGIO

De julho de 2007 a janeiro de 2008 o mercado premium de cervejas cresceu 1,2 pontos percentuais (dados Nielsen), passando de 4,8% para 6%. Assim, a AmBev desembarca em Brasília - cidade de renda per capita pra lá de interessante - com seu portfólio de importadas, como as belgas Leffe Blond, Leffe Brown e Hoegaarden, a alemã Franziskaner Hefe-Weissbier Hell e as uruguaias Patrícia e Norteña.

http://www.valoronline.com.br/

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

Ville de Bière

Olha só que legal a dica que recebi outro dia por email e sempre esqueço de postar aqui. É um site chamado "My Mini City", e que não precisa de cadastro, nem nada. Você escolhe um país e cria sua própria cidade. Na medida em que pessoas vão visitando, a cidade vai crescendo.

Aí entrei e criei, no Brasil a fantástica (e etílica) Ville de Bière (http://ville-debiere.myminicity.com/)!!! Cada vez que um de vocês entrar nesse link, acho que a cidade vai ganhando gente, casas e prédios. Bom, foi o que eu entendi pelo menos...


(Bonitinha ela, né??)

Ah é, pode entrar na cidade quantas vezes quiser, mas só vai contar 1 voto (ou habitante) por vez no dia.

Acho que é isso. Vamos ver a quantas irá Ville de Bière!!

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008




Uma ótima sexta e um excelente fim de semana a todos!!!

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

Notícias cervejeiras

FEMSA CRESCE MAIS EM JANEIRO

A disputa pela terceira colocação do mercado cervejeiro foi acirrada em janeiro. A Femsa, que não compra mais os dados Nielsen, foi justamente a fabricante que mais cresceu no mês passado, de acordo com a última leitura da empresa de pesquisa. A companhia encerrou janeiro de 2008 com uma participação de mercado de 8,3%. Em dezembro de 2007, a empresa tinha 7,7%. O maior crescimento veio da marca Bavária.

Já a Petrópolis, fabricante que mais cresceu no ano passado, manteve-se estável entre dezembro de 2007 e janeiro, em 8,5% de participação de mercado. Em janeiro de 2007, a Petrópolis tinha 7% de participação. A concorrente Schincariol perdeu 0,3% ponto percentual no período, somando fatia de 11,1%. Em janeiro de 2007, tinha 11,4%.

A líder AmBev apresentou queda de 0,4 ponto percentual, totalizando uma participação de 68,2% em janeiro de 2008. No mesmo período do ano passado, a fabricante tinha 68,7% das vendas do mercado. Em janeiro do ano passado, a AmBev também havia perdido participação de 0,6%. Segundo fontes do mercado, o mês de janeiro é marcado por forte guerra de preços nos supermercados.

http://www.valoronline.com.br/

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

Wexford Irish Ale


"Baseada numa tradicional receita irlandesa, que data de 1810"... muito sortudos esses irlandeses.

Vocês viram o vídeo no post passado?? Sim, essa cerveja conta com o mesmo esquema da Guinness: utilizam uma cápsula de nitrogênio, que confere a cerveja, além do lindo espetáculo de formação de espuma, uma leveza na cerveja e uma incrível cremosidade na espuma.


Essa é a cápsula de nitrogênio...


A cerveja, com 5,0% de teor alcoólico, tem uma linda cor cobre, além de um ótimo aroma, parecido com caramelo, com um toque do lúpulo.

É uma cerveja macia, que desce redondo. O sabor inicial é doce, um pouco frutado, lembrando também toffe, que combinada com o lúpulo, que deixou a cerveja com um ótimo amargor no final. Senti um toque de pão também.

Muito boa essa cerveja!!!

Hummmm cerveja pictures apresenta....

O efeito cascata...

video

Hummmm cerveja é filosofia

Esse texto é um pouquinho grande, mas vale a pena ler até o final...

Conversa de cerveja, interminável

"O meu guru, durante vários anos, foi Wolfram Koehler, o mestre cervejeiro alemão com quem bebi o maior número possível de “Belikins” ao balcão do Bellevue Hotel, um pequeno hotel de Belize City. O hotel já fechou, sobrecarregado de dívidas e de maus negócios de George, o escocês que o comprou e passou a dirigir quando as Honduras Britânicas passaram a ser o Belize independente, em 1980. George gostava de cerveja e de brandy, e a irmã Nathalie, que era casada com um oficial britânico da RAF, preferia vinho. Bebiam o que queriam. O Bellevue Hotel era um lugar onde cada um bebia o que queria, porque estava cheio de personagens de Somerset Maugham, geralmente fugidos à inspecção fiscal americana, a esposas que os aguardavam em Nova Iorque ou no Minesota, a namoradas que nunca casariam com eles em New Orleans, ou a um destino qualquer em qualquer outra parte do mundo. Com clientela assim, o Bellevue teria de falir. Os quartos também não eram grande coisa e o marido de Nathalie, o oficial da RAF, bebia vinho do Porto com queijo “stilton”. Essa foi uma das razões do seu divórcio, há um par de anos, porque ela conheceu um produtor de reggae que bebia cerveja e trazia “Dragon’s Stout” às caixas, da Jamaica, onde acabaram por abrir um bar. George, por seu lado, falava demais até às dez da noite; depois das dez da noite ninguém conseguia entendê-lo porque a gramática se enredava em ondas de álcool, para provar que as frases com sujeito, predicado e complemento directo eram incompatíveis com brandy de origem duvidosa.

Na verdade, eu conheci Wolfram Koehler porque River Phoenix não bebia café. Eu não falei com River Phoenix mas, nessa temporada de Belize City, ia frequentemente ao Lily Rose Cafe & Patio, onde River Phoenix bebia muito quando era vivo. Ele ia beber. Eu ia almoçar porque me levantava muito cedo e tinha fome por volta do meio-dia. Depois de um almoço de galinha frita e arroz de feijão com côco era insuportável estar no Lily Rose Cafe & Patio porque não havia café, nem chá, nem nenhuma bebida quente. Só havia cerveja. River Phoenix só precisava de cerveja e não gostava de café. Fui a pé para o hotel, onde deveria sentar-me ao balcão do pequeno bar do jardim, de onde se viam os barcos que regressavam dos recifes, e onde se podia tomar café expresso e fumar charuto. Wolfram Koehler estava lá e, meia-hora depois de nos termos apresentado, ele começou a pedir cervejas. Quatro horas depois estávamos, com George, o dono do Bellevue Hotel, numa ilha a hora e meia de barco de Belize City, sentados num areal diante daquele mar de cartolina azul, coqueiros, casas de madeira que tinham sobrevivido ao tufão anual. Só saímos da ilha no dia seguinte, depois de um jantar fatal, de muitas horas de conversa e de muita cerveja bebida.

Só de manhã soube por que razão já “podíamos regressar a Belize City”: Wolfram também era um personagem de Somerset Maugham e o seu casamento com uma argentina relativamente fogosa e possessiva (eu nunca a conheci) estava marcado para a noite anterior em New Orleans. Na ilha não havia telefone e Wolfram podia regressar, livre, à cidade, depois de ter anulado o casamento uns dias antes.

O que tem isto a ver com cerveja? Tudo. Em primeiro lugar é conversa de bebedor de cerveja, interminável (podia escrever várias histórias sobre o oficial britânico da RAF, que sempre me pareceu uma espécie de Chatterley); em segundo lugar, Wolfram era um mestre-cervejeiro de quarenta anos, cujo pai tinha sido mestre-cervejeiro em Munique, cujo avô foi mestre-cervejeiro em Colónia. Ele desempenhou essas funções em França, na Alemanha, no Brasil, nos EUA e, finalmente, no Belize. Conheci-o quando estava de férias – nessa altura ele dirigia o seu próprio restaurante em New Orleans, onde fabricava três cervejas superlativas: uma pilsener clarinha, leve, de coração frio; uma dunkel apetitosa com tons de caramelo; e uma red-ale, ruiva e profundíssima. Há anos, ele tinha aceite a oferta de um emprego naquele país que ninguém conhecia: reformular e relançar a “Belikin”, transformando-a numa lager ao gosto de quem apanhava o iodo do Mar dos Sargaços.

Até aí, confesso, eu só gostava de cerveja. Quem pagou a minha primeira cerveja foi o meu avô. Estávamos em Agosto e eu tinha 14 anos. Prometi que, durante esse Verão, não beberia mais nenhuma. Não bebi. Só no Verão seguinte voltei a pedir-lhe que me pagasse um novo “fino” no Café Carneiro, diante da estação dos caminhos-de-ferro, mais ou menos à hora a que estacionava o rápido do Porto, que nesses anos ainda chegava a Barca d’Alva e tinha ligação para Freixeneda do outro lado da ponte sobre o Douro, ou seja, para Espanha.

Havia três coisas que nós – os miúdos que passavam férias no Douro – aprendíamos durante o Verão e íamos aprofundando ao longo dos anos da adolescência. Primeira: que na Quinta do Vale Meão, mesmo diante da aldeia mas na mesma margem do rio, se produzia “o melhor vinho do mundo” conhecido pelo seu nome (que seria “Barca Velha”). Segunda: um rapaz só era rapaz quando se atrevesse a saltar para o rio de noite, junto das rochas da Casa do Douro, ou soubesse trautear “Bad Moon Rising”, dos Credence Clearwater Revival. Terceira: as melhores imperiais ou finos das redondezas eram servidas nas esplanadas de Moncorvo, a que íamos muito (por causa das raparigas), no balcão de zinco de Salomão Carneiro (dentro de portas, portanto) e num café do Jardim do Tabolado em Vila Nova de Foz Côa, a que não íamos muito (por causa das raparigas).

Os meus Verões no Douro eram monótonos – e essa monotonia era saborosa. Havia livros da carrinha da Gulbenkian, pesca duas vezes por semana, festas da aldeia na segunda semana de Agosto (o que se traduzia por uma guerra ruidosa entre fanáticos de “Smoke on the Water” – nós – e adeptos da filarmónica de Felgar, que vinha para os últimos dois dias), vindimas a partir da primeira semana de Setembro, filhas de proprietários ou administradores de quintas, cinema ao ar livre (por três vezes vi “Os Canhões de Navarone” e “A Túnica”) e a comida da minha avó. A tudo isto veio juntar-se a explosão de frescura e de devassidão prometida pelas primeiras imperiais da adolescência. Muitos anos depois, na esplanada de um bar de São Paulo, e lembrando-me sempre de Wolfram Koehler, a quem contei o projecto (em Lisboa, num restaurante onde falámos de futebol todo o tempo) quis começar a escrever o guia das minhas cervejas preferidas. A primeira coisa de que me lembrei foi essa impressão de frescura amarga – e do sorriso do meu avô, que só bebeu meia dúzia de cervejas ao longo da vida, mas me deixou conhecer esse sabor.

Era impossível escrever esse guia. As primeiras cervejas são ruidosas na memória – mas, geralmente, não têm qualidade. Basta-lhes serem frias e constituírem uma etapa na adolescência. Depois, vieram muitas cervejas bebidas em inter-rail. Por sorte, os meus inter-rails levaram-me aos países da cerveja: Alemanha, Bélgica, Suécia, Suíça, Dinamarca ou Holanda – e Inglaterra, naturalmente, onde qualquer português garantia que existia a pior cerveja do mundo. Nessa altura, a Checoslováquia era demasiado longe. Ficou para depois. Nesses anos, era um coleccionador que tentava provar a maior quantidade de cervejas antes de regressar à faculdade. Bares de Hamburgo, de Munique, de Estocolmo e de Copenhaga; esplanadas de Antuérpia, Amesterdão ou Groninguem; pequenas estalagens nas montanhas da Suíça; em todos esses lugares coleccionava rótulos de garrafas de cerveja. Quando regressava, trazia experiências na mochila para enfrentar o pelotão de Super Bock, Sagres, Cristal, Cergal, Marina e Clock (a Especial Mello Abreu e a Coral, insulares, só vieram depois). As últimas três desapareceram entretanto e pouca gente sentiu falta. Eu senti – mas sobretudo penei pelo desaparecimento da Topázio e da Ónix, as cervejas de Coimbra (e havia Cuca na minha infância) e de uma Boémia que se bebia em Lisboa. Em Lisboa, havia poucos lugares onde se bebiam cervejas estrangeiras – além das que eram distribuídas com garantia, a Carlsberg e a Tuborg (apenas as “lager”). Portugal era um país vinícola cheio de “adegas cooperativas” onde o vinho era geralmente mau, e a cerveja era uma bebida sem prestígio. No final do Verão, eu continuava a subir de novo ao Douro para ajudar o meu avô paterno a fazer vinho. Erguíamo-nos de madrugada, conheci o cheiro dos lagares e percebi que havia uma profundíssima alquimia nesse processo que nos deixava os pés sujos e uma impressão de alegria embriagada. Nunca percebi, de qualquer maneira, por que razão não poderíamos beber cerveja, nós, os deserdados da erudição vinícola. Nunca percebi por que razão uma coisa teria de excluir a outra.

Foi na Irlanda, de qualquer modo, que percebi. Num pub de Galway pedi uma pint de Guinness e o empregado, depois de ver a minha alegria, sugeriu que voltasse no dia seguinte para provar a cerveja do próprio bar. Tinham esgotado a reserva e a nova produção tinha começado há quinze dias. Amanhã estaria pronta. Fui. Não era a pior cerveja do mundo, não era fria, não tinha perdido o amargor: fresca, amarga, ligeiramente alaranjada, com tons de caramelo e café, e existia em apenas vinte barris mensais. Aprendi como se fazia cerveja e descobri como era um ingrato: quinze anos atrás, em plena infância, o meu avô materno – em Vinhais, Ousilhão – produzia lúpulo para vender a uma empresa de cervejas do Porto. Nunca liguei. Arrependi-me. Amargamente, como convém ao lúpulo e à sua flor.

E, depois de mais uns percursos, cheios de stouts e imperial stouts, de porters e de red ales, de pale ales, de dunkels e de weissbiers, de bocks, rauchbier, trapistas, pilseners e trippels, doppelbocks, amber ales e bitters, passei a não compreender os que, ao aproximarem-se da nossa fronteira, rezavam em coro: “Ah, não há cerveja como a nossa!” Havia. Se havia.

Havia, e desde antes de antes. Estrabão cita os lusitanos como aquele povo que sabemos – mas, para o que nos interessa, eles bebiam cerveja. Abundantemente, aliás. Não é um hábito diferente de todos os povos com agricultura – de que provém a cerveja. Apenas os arborígenes da Austrália e os esquimós não fabricaram cerveja; precisamente, porque não tiveram agricultura. O “pão líquido” dos antigos (era assim que era tratada a cerveja, como um alimento), aliás, é um dos grandes argumentos contra o criacionismo religioso: acreditar que o mundo foi criado há exactamente 6000 anos (mais exactamente 5767 na nossa tradição, quase 5768, uma vez que se aproxima Rosh Hashana) significa esquecer que existe cerveja cerca de 3000 anos antes dessa data. É uma injustiça. A menos que, antes disso, só o Criador tivesse o privilégio de bebê-la.

Hoje, é difícil criar uma cerveja má. Consegue-se, evidentemente, mas podemos reconhecê-la como aquela bebida com ligeira presença de lúpulo e alegadamente de malte, mas sem gosto e sem aroma. Nos EUA conheci cervejas magníficas (foram a minha última surpresa a acrescentar); recentemente descobri que só no estado de Santa Catarina, no Brasil, há sessenta e cinco cervejas desconhecidas à minha espera; aguardo uma viagem à Austrália para provar as setenta que se fabricam ali; as cervejas do norte e do centro de Inglaterra ainda guardam segredos fatais. Em todos os lugares do mundo há cervejas novas que recriam o pão líquido dos antepassados do Crescente Fértil, a “chicha” das Américas, a “ole” dos saxões.

Há dois anos, quando pensei que tinha chegado ao fim do mundo, para lá do sul, em Ushuaia, às portas da Antártctida, entrei num bar ao fim da tarde, o The Irish Pub at Ushuaia (para quem não saiba, ó pormenores fatais, fica a poucos metros de uma livraria que só vende livros de viagem e mesmo diante do derradeiro ancoradouro do Canal Beagle, onde Charles Darwin desceu), e senti-lhe o cheiro, à cerveja artesanal: ligeiramente tocada por citrinos, pressenti o amargor definitivo, imaginei a pérola de espuma a formar-se – e fechei os olhos. O barman, um argentino recortado sobre um quadro onde tinham emoldurado uma camisola de Diego Maradona, sorriu quando lhe perguntei se tinham cerveja. “La mejor!” Em toda a Argentina, de Corrientes, na fronteira do Paraná, até aos Andes e ao estreito de Magalhães, provei cervejas magníficas, brutais. Os velhos hippies de El Bolsón, na Patagónia andina, por exemplo, fabricam uma dezena de cervejas artesanais que pedem meças a qualquer uma que possamos beber em Manchester ou em Bruxelas. “La mejor que venga”, propus eu. E veio. Nunca mais, repito, nunca mais bebi uma cerveja assim, como a “Ushuaia” – pareceu-me ter um travo de limão, um diabo à solta dentro da caneca de vidro. Voltei nessa noite, e no dia seguinte, e mais duas ou três noites, e despedi-me comovido da última garrafa que trouxe comigo, umas semanas depois, já em Portugal. Era boa? Era. Era a melhor? Naquela hora, sim. Eu tinha feito uma caminhada de doze quilómetros até ao sopé do glaciar El Martial, e foi a melhor cerveja do mundo. Essa é a grande lição da cerveja: a sua circunstância".

Francisco José Viegas

http://textosorigemdasespecies.blogspot.com/

sábado, 9 de fevereiro de 2008

Hummmmm cerveja recomenda

Nada como uma visitinha em algum sebo, para garimpar coisas interessantes. Minha última aquisição foi esse livro de 1997, "Oktoberfest - turismo, festa e cultura na estação do chopp", da autora Maria Bernardete Ramos Flores, pela editora catarinense Letras Contemporâneas.

É um livro bem legal, que conta não só a história da Oktoberfest no Brasil, desde os primeiros imigrantes, no século XIX, mais as enchentes em Blumenau nos anos 80, até a década de 90, com a explosão da popularidade da festa; além das outras festas de origem alemã de Santa Catarina, como a de Brusque, ou a Schützenfest, em Jaraguá do Sul, entre outras.

Muito legal, fácil de ler, menos de 200 páginas, para ler num fim de semana de chuva, igual a esse.
Então abra uma cerveja, sente-se em uma poltrona confotável e aproveite!!

Após uma pesquisada rápida, não encontrei uma edição atualizada do livro, mas pra quem interessar, pode adquirir aqui.

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

Notícias cervejeiras

Só pra tirar as teias de aranha criadas durante o carnaval...

É notícia em todos os lugares a proibição da venda de bebidas alcoólicas nas rodovias federais.
Política a parte (até porque não é a finalidade desse blog comentar sobre política), ainda não cheguei a nenhuma conclusão concreta, mas estou mais disposto a ser contra a proibição.

Todo mundo sabe que beber e dirigir não combina; que o álcool tira os reflexos do motorista e etc.
Mas não acho que proibir seja a solução.

Entendo que o homem é livre para fazer o que quiser. Se quiser beber e dirigir, que assuma o risco, e se fizer algo de errado, que seja severamente punido pelo que cometeu.
Pegando um gancho, cito o exemplo das Autobahns alemãs. Para quem não sabe, as Autobahns são as rodovias alemãs, onde não há limite de velocidade. Então tanto faz viajar a 120 km/h ou a 330 km/h; porém, o motorista assume o risco. Se causa um acidente, paga.

Acho que o governo deveria investir mais na segurança e na qualidades das estradas.

A proibição pode criar todo um mercado negro paralelo. Foi assim que os gangsters surgiram nos EUA: com a lei seca, que começou em 1920 e terminou 13 anos depois, onde a distribuição ilegal de bebidas fez proliferar os gangsters e a corrupção policial (para quem gosta, é assistir a filmes como "Os Intocáveis", que mostra o confronto entre Al Capone (um dos mais famosos gangsters) e Elliot Ness, da polícia americana).

Além disso, vender ou não, não obriga ao motorista consumir bebida alcoólica.
É a mesma história da proibição de propaganda de bebidas alcoólicas. Particularmente, a propaganda nunca me influenciou a consumir determinado produto. Sempre o que consumi foi por vontade própria. Consome quem quer, mais uma vez, assumindo os riscos de sua ação.

Da mesma forma, a proibição pode afetar muitas pessoas que dependem dos empregos que são gerados com a venda das bebidas.

Alias, os principais jornais de hoje dão a notícia de que o governo pode relaxar a medida provisória que institui a lei seca. Sinal de que viram que é um absurdo essa lei?? Veremos...

terça-feira, 5 de fevereiro de 2008

Hummmmm cerveja entrevista


O autor...


... e um de seus livros.

O Hummmmm cerveja entrevista dessa vez é com Peter LaFrance, esse americano que escreve sobre a indústria cervejeira desde 1984, autor do livro "Cooking & eating with beer", entre outros, e dono do site Beer Basics. Confiram como foi:

Humcerveja - Peter, antes de começarmos, muito obrigado pela participação. Qual foi a primeira cerveja que você bebeu?
Peter LaFrance - Foi em agosto de 1969, na praia, uma lata de Schlitz Lager gelada.

Humcerveja - Qual sua cerveja favorita?
LaFrance - As cervejas da Unibroue, Chambly, Quebec, Canadá.

Humcerveja - E qual foi a pior?
LaFrance - Miller Clear Beer.

Humcerveja - Como começou essa sua paixão por cerveja?
LaFrance - Começou quando um colega da universidade me trouxe uma caixa da Labatt Porter de Montreal, em 1970.

Humcerveja - Como surgiu a idéia do livro "Cooking & eating with beer"?
LaFrance - Surgiu quando o capítulo sobre "Food & Beer" no meu primeiro livro "Beer Basics" aumentou de 20 para mais de 150 páginas.

Humcerveja - Obrigado pela entrevista!

http://www.beerbasics.com/

O "Cooking & eating with beer" você encontra aqui; enquanto que o "Beer Basics", aqui.

sábado, 2 de fevereiro de 2008

Hummmm cerveja é curiosidade

Que tal não precisar chamar o garçom, ou levantar a mão sempre que quiser completar o chopp??

Essa a proposta dessa caneca: precisou, é só tocar a campainha. Simples e prático assim!!

Onde?? Aqui.