segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Escola Brasileira??

Já faz algum tempo que venho pensando nesse assunto. E toda aquela confusão entre o mr. Murray e a Colorado me fizeram finalmente escrever sobre isso. Existe ou pode existir uma escola cervejeira brasileira??

Explico. Graças à explosão dos homebrewers e das micro-cervejarias no país, as cervejas já não se resumem aquelas Pilsen sem graça que conhecemos. Na verdade, a variedade é tão grande que encontramos Dubbels, Tripels, Doublebocks, defumadas, Ales, Porters... e todos esses estilos citados pertencem a alguma escola (e isso não é uma crítica. Até porque a Eisenbahn vive ganhando prêmios mundo a fora com sua Dunkel e com a Weizenbock.). Escola essa que, mais ou menos, representa a cultura e personalidade de um povo.

Vejamos a escola alemã. A lei de pureza de 1516 define cerveja como seno água, malte e lúpulo (o malte de trigo e a levedura vieram depois). Com esses 3 (eventualmente 4) ingredientes, grandes cervejas são produzidas. Além disso, penso que por ter apenas esses ingredientes, pode-se ter um cuidado maior na seleção dos produtos, o quem na grande maioria das vezes, traduz-se em uma cerveja do mais alto gabarito. Ademais, mesmo só com esses ingredientes, temos uma boa gama de cervejas. Sem pensar muito, podemos citar Bock, München, Kölsch, Weiss, Oktoberfestbier...

Ao mesmo tempo, como já disse, a personalidade de um povo reflete em sua cultura, culinária etc., e com a cerveja não é diferente. Vejo o alemão como um povo metódico, tradicional, conservador mesmo (claro que existem exceções). E essas características se refletem na cerveja na forma da Reinheitsgebot, que existe a quase 500 regulando a feitura da cerveja. Ou seja, metade de um milênio fazendo cerveja da mesma forma. Quer mais conservadorismo que isso?? É um grande limitador, não acham??

Por outro lado, temos a escola belga, tão tradicional quanto a germânica, mas o total oposto deles.
Vejo o povo belga como mais solto, mais alegre, mais festivo. O resultado disso na cerveja?? São mais inventivos, quase alquimistas na arte de fabricar cerveja. Lá não há limitações de matéria prima para a cerveja. É de comer?? Então pode virar cerveja. Exageros a parte, encontramos representantes belgas com cravo, aveia, coentro e outras especiarias, casca de laranja, frutas e etc., isso sem contar naquilo que, pessoalmente, reputo que sejam os mestres: o fermento. O resultado disso tudo vocês já sabem: Lambics, Strong Ales, Dubbels, Tripels, e por aí vai.

Mas e por aqui??
Dando uma lida no Decreto nº. 2314/97 (que é o decreto que regula o que é cerveja por aqui), de acordo com o artigo 64, cerveja é água, malte, lúpulo, malte de trigo e levedura. Mas também é sorgo, arroz, milho e outras coisinhas mais. O resultado todos nós sabemos, não é? Felizmente, existem maravilhosas exceções.

E já que a lei dá uma brecha, porque não desenvolver uma escola brasileira?? Fazer um estilo de cerveja somente encontrado por aqui?? Ou então que ao menos prestigie ingredientes nacionais. A ribeirão-pretana Colorado e a gaúcha Dado Bier já deram o primeiro passo, pois utilizam ingredientes tão inusitados quanto brasileiríssimos como a rapadura, a mandioca, a erva-mate (ok, a erva-mate não é exclusiva por aqui, mas acho que já deu para entender onde quero chegar né??). Não poderíamos ter cervejas que representam nossas culturas e tradições?? A Colorado e Dado Bier dizem que sim.

Sem querer esgotar a discussão, deveria (ou poderia) haver uma escola cervejeira nacional, que invista em produtos brasileiros, mostrando toda nossa criatividade, cultura e tradições? Ou vocês acham que deveríamos seguir alguma escola, seja ela a belga, a alemã ou uma outra qualquer??
Vamos, dêem suas opiniões.

1 comentários:

Anônimo disse...

Não posso falar sobre a cerveja colorado, pois ela como outras cervejas brazucas artesanais estão com um preço absurdo.
E por menos consigo degustar cervejas alemães como a Licher, Justus, Koning, a holandesa 8.6 a tcheca 1795 e até (quando se encontrava) a deliciosa e marcante Belle Vue.

Wagner