Uma pausa nas cervejas.
Li num fórum cervejeiro (me desculpem, mas não consigo me lembrar qual é o fórum), a idéia do Beerevangelism, ou Evangelismo cervejeiro. O conceito é bem interessante. E comecei a pensar:quem gosta ou tem interesse em cervejas não se contenta em só beber tranquilamente as boas cervejas, mas tem essa necessidade de compartilhar a paixão (talvez por isso a grande quantidade de blogs sobre o assunto), e quem sabe, salvar a alma daqueles “torcedores de rótulos” (ótima expressão!!! Valeu pessoal do brejas), como verdadeiros "evangelistas" da cerveja. Quem nunca fez isso?? Alias, devemos nos importar com o que as pessoas bebem??
Nesse fórum, havia em 3 motivos para fazermos essa espécie de “doutrinamento” (dei uma adaptada aqui):
1. instintivamente, achamos que ao fazer isso, as pessoas vão parar de tomar as cervejas das grandes empresas, os bares vão parar ou diminuir a venda dessas cervejas e, consequentemente, aquela artesanal de que tanto gostamos vão passar a ser vendida em todos os lugares.
2. altruísmo. Nós sabemos que a grande maioria das artesanais e das importadas são de altíssima qualidade, então porque não recomendar essa cerveja para alguém???
3. o terceiro motivo é naqueles casos em que você pensa “opa... conheço esse assunto...”, e profere uma pequena palestra, como se fosse um professor. O problema é que não gosto muito de pessoas exibicionistas. Acho que vocês também, não é??
Convenhamos que o motivo número 1 seja um tanto quanto utópico, não acham?
3º hipótese?? motivo errado (pelo menos pra mim). Qual o problema daquele que bebe uma Kaiser, por exemplo, estupidamente congelada?? Não é crime isso. Sem contar que é um saco alguém nos atrapalhar quando queremos beber nossa cerveja preferida quando estamos nos divertindo.
Se o que move você é a hipótese 2, ou seja, recomendar uma boa cerveja para alguém, ensinar o “caminho das pedras” das boas cervejas. E isso é tão ruim assim??
Sinceramente, não vejo problema algum em ser um evangelista cervejeiro e difundir a boa cerveja para alguém. Mas também não podemos ser tão radicais assim, a ponto de nos transformar-mos numa espécie de Taleban da cerveja (com todo respeito), a ponto de acreditar que qualquer cerveja que não for feita na lua cheia por virgens nuas que recitam cantos gregorianos ao contrário não é digna de ser provada.
Podemos dizer coisas negativas em relação as grandes empresas, mas não podemos negar que, por exemplo, Hoegaarden, Paulaner, Original, Guinness (para ficar só nessas 4) são cervejas mais do que tomáveis.
As macro-cervejarias não precisam do nosso dinheiro ou do nosso apoio. É por isso que acho que devemos apoiar aqueles homebrewers ou as micro-cervejarias que elaboram suas cervejas com paixão e amor.
Na minha “cruzada”, de “evangelização cervejeira”, tenho algumas regras, bem flexíveis até:
Não acho um idiota (desculpem o termo. Não encontrei nenhum outro mais apropriado) aquele que gosta de Brahma, por exemplo. São gostos particulares, e que, por causa disso, não são iguais. E por isso devem ser respeitados. Mas isso não significa que não posso sugerir alguma outra cerveja. Em segundo lugar, na maioria dos casos, essa pessoa foi “vítima” do marketing, ou não tem a oportunidade de experimentar outras coisas. Por isso, já fico satisfeito quando vou a algum supermercado e vejo alguém levar alguma cerveja importada (qualquer uma) no lugar de uma nacional qualquer.
Leis de pureza ou procedência não garantem a qualidade, e nem o contrário acontece. Uma cerveja é ruim porque foi muito mal feita. Assim como existem cervejas importadas ruins, existem boas cervejas industriais por aqui (vide Serramalte, Bohemia, Original etc.).
Em último lugar, não existe a cerveja perfeita. Alguns dizem que é a que você toma com amigos, ou pra melhor cerveja, depende do momento (como eu), outros dizem que a melhor cerveja vai ser aquela que ainda vai beber. Sinceramente, isso tudo é muito bonito, mas não acho que exista A cerveja. Não importa o que dizem os experts ou os prêmios que uma cerveja pode ganhar. Mas isso não significa que tenho que deixar de procurá-la.
Pra resumir, essa é mais ou menos a idéia do Beerevangelism, e que me atrai bastante. Neste blog, prometo seguir difundindo o evangelho da boa cerveja. E espero que vocês continuem me acompanhando!!!
Mas e quanto a vocês?? Entenderam o significado de Beerevangelism? Então falem aqui!!!!


6 comentários:
Grande Rodrigo!
Cara, achei simplesmente DEMAIS o seu texto no "Hummmm Cerveja" sobre o Beerevangelism! Eu gostaria de tê-lo escrito! De quebra, obrigado pela lembrança do BREJAS...
Por sinal, é exatamente esse o "espírito" do BREJAS: Recomendar cerveja boa sem ser "cervochato". Não temos nada contra, mas rejeitamos o rótulo de "cervejólogos", como
alguns blogueiros insistem em se auto-intitular.
Estamos no motivo número 3 (altruísmo). Recomendamos cerveja boa só pros amigos. Pros inimigos, recomendamos uma Nova Schin quentinha... rsss...
Grande abraço meu e dos Confrades do BREJAS.
Rodrigo,
Muito interessante o texto, concordo com tudo o que disse, e na realidade gostamos de cerveja, indiferente ao que ela é ou ao que se propõe. Por que não tomariamos uma cerveja em um boteco com os amigos?
Acho que estamos longe de sermos os chatos da história, apenas indicamos o caminho das pedras, e óbvio que ficamos felizes quando vemos as pessoas trilhando este caminho pois torna-se mais um parceiro, e é bom para a cultura cervejeira.
Belo texto, Rodrigo. Eu prefiro ficar na minha e deixar que os "torcedores de rótulos" tenham um dia a oportunidade de, como diria Sócrates, "sair da caverna", espontaneamente, como aconteceu comigo.
Mas que ninguém se atreva a me dizer que Brahma é melhor que Heineken. Mesmo respeitando o direito de cada um gostar do que quiser, eu me tornaria um chato, sim!
Excelente tópico e excelente texto, Rodrigo.
Na minha óptica, considerei que a alternativa seria apresentar as minhas preferências mencionando-lhes as virtudes na esperança de conseguir, quem sabe, recolher para o meu lado algumas "ovelhas tresmalhadas", enleadas pelo canto da sereia dos grandes potentados da cerveja nacional e internacional.
Ora um tal objectivo não poderá nunca poderá conter em si uma espécie de atestado de superioridade de qualquer espécie.
Porque não há maior democratiidade que a existente entre os anónimos que, ombro a ombro, ao balcão de qualquer bar, se enfrentam com um copo cheio com a magnífica bebida. Qualquer que seja a marca.
Abraço
Excelente texto, excelente ideia do beervangelism, é o que, de certa forma, tenho tentado fazer com meus textos no http://www.papodebebado.com
Também acredito que existem cervejas industriais tomáveis, e que não há nenhum problema em tomar umas brahmas, skol, etc... eu prefiro não tomá-las, mas é opção minha.
Das industriais fico com as que você citou, Original, Bohemia e Serra Malte, mto raramente me permito uma Brahma quando não há outra cerveja para se tomar.
Hmmm. I don't read much portuguese, but it looks like this post is very similar to one that we wrote back in April, especially the "three reasons".
They say that imitation is the sincerest form of flattery.
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